Moçada, o puragoiaba ficará em recesso até esta quarta ou quinta-feira. A vida voltou a ficar complicada aqui no reino da bananada de goiaba. Mas o recesso será breve. Enquanto isso, fiquem com nossas "estrelas comerciais". Maaaarcos!...
22.7.02
VOU ALI E JÁ VOLTO
Moçada, o puragoiaba ficará em recesso até esta quarta ou quinta-feira. A vida voltou a ficar complicada aqui no reino da bananada de goiaba. Mas o recesso será breve. Enquanto isso, fiquem com nossas "estrelas comerciais". Maaaarcos!...
Moçada, o puragoiaba ficará em recesso até esta quarta ou quinta-feira. A vida voltou a ficar complicada aqui no reino da bananada de goiaba. Mas o recesso será breve. Enquanto isso, fiquem com nossas "estrelas comerciais". Maaaarcos!...
19.7.02
PEQUENA ANTOLOGIA GOIABAL 13
Sigmund Freud (1856-1939)
"Não estou interessado em nenhuma crítica econômica do sistema comunista; não posso investigar se a abolição da propriedade privada é conveniente ou vantajosa. Mas sou capaz de reconhecer que as premissas psicológicas em que o sistema se baseia são uma ilusão insustentável (...). A agressividade não foi criada pela propriedade. Reinou quase sem limites nos tempos primitivos, quando a propriedade era ainda muito escassa, e já se apresenta no quarto das crianças, quase antes que a propriedade tenha abandonado sua forma anal e primária; constitui a base de toda relação de afeto e amor entre pessoas."
(Trecho de "O Mal-Estar na Civilização", 1930)
Sigmund Freud (1856-1939)
"Não estou interessado em nenhuma crítica econômica do sistema comunista; não posso investigar se a abolição da propriedade privada é conveniente ou vantajosa. Mas sou capaz de reconhecer que as premissas psicológicas em que o sistema se baseia são uma ilusão insustentável (...). A agressividade não foi criada pela propriedade. Reinou quase sem limites nos tempos primitivos, quando a propriedade era ainda muito escassa, e já se apresenta no quarto das crianças, quase antes que a propriedade tenha abandonado sua forma anal e primária; constitui a base de toda relação de afeto e amor entre pessoas."
(Trecho de "O Mal-Estar na Civilização", 1930)
18.7.02
DECLARAÇÃO À PRAÇA
Venho por meio desta declarar que o que eu tinha a dizer eu já declarei. Não obstante -e, ainda, feroz e obstinadamente-, sinto-me na obrigação de reafirmar o já anteriormente exposto. De modo que assim me posiciono, renegando, destarte, qualquer afirmação em sentido oposto à verdade proferida por este que esta redige. Queiram aceitar meus protestos de estima e consideração.
Sem mais para o momento, firmo-me
Ruy Goiaba
CEO da Goiaba's Enterprises
18 de julho de 2002
Venho por meio desta declarar que o que eu tinha a dizer eu já declarei. Não obstante -e, ainda, feroz e obstinadamente-, sinto-me na obrigação de reafirmar o já anteriormente exposto. De modo que assim me posiciono, renegando, destarte, qualquer afirmação em sentido oposto à verdade proferida por este que esta redige. Queiram aceitar meus protestos de estima e consideração.
Sem mais para o momento, firmo-me
Ruy Goiaba
CEO da Goiaba's Enterprises
18 de julho de 2002
Hein?
(Post conceitual, ressuscitado a pedido de Sylvia Zappa. É permitida a reprodução em outros blogs, desde que citada a fonte. Copyright Goiaba's Enterprises. Cuidado, recheio quente. )
(Post conceitual, ressuscitado a pedido de Sylvia Zappa. É permitida a reprodução em outros blogs, desde que citada a fonte. Copyright Goiaba's Enterprises. Cuidado, recheio quente. )
Nova mudança no slogan, para homenagear o ultragoiaba e muito estranho Dalto. "Cuida bem de miiiim..."
GOIABA MUSIC GUIDE
Top five: músicas pavorosas e seus títulos horrendos
Quando a falta de assunto é crônica, nada como fazer rankings. Desta vez, escolhi cinco músicas brasileiras cujos títulos dão uma excelente idéia de sua qualidade. Como vocês sabem, eu sempre me embanano com números complexos: assim, a lista de cinco músicas tem seis (as "top five" e uma menção honrosa). Eis:
* Onde o Coló Comeu, Ivon Curi. Vocês notaram a sutileza? Pois é, o repertório do cantor também incluía sacanagens perceptíveis apenas pelos ouvintes de inteligência superior. Ivon é santo padroeiro do puragoiaba -e ai de quem falar mal dele.
* Não Tem Jeito que Dê Jeito, Raimundo Soldado. Patrimônio do brega nordestino, Raimundo Soldado foi redescoberto recentemente pelo brega fake Falcão, que regravou esse clássico. Destaque para este imortal verso: "De hoje em diante nós vamos ser um simples amigo". E viva as melodias popular!
* Nós Somos Dois Sem-Vergonhas, Lindomar Castilho. O verdadeiro gangsta-brega em uma de suas interpretações mais matadoras (ops, desculpem).
* Dez Portugueses sem Jeito e um Bacalhau na Sacola, Roberto Leal. Isso é o que acontece quando um português pirobo e sem superego é deixado à solta. Putaq'p'riu!
* Se Eu Morrer sem Gozar do Seu Amor, Minha Alma lhe Perseguirá de Pau Duro, Falcão. De longe, o título mais poético da MPB nos últimos 80 anos.
Menção honrosa: Suga-me, com Alípio Martins. O assunto é esse mesmo que você está pensando. Also known as "Melô da Peta". Séquiço explícito, cafonice e maracas.
Top five: músicas pavorosas e seus títulos horrendos
Quando a falta de assunto é crônica, nada como fazer rankings. Desta vez, escolhi cinco músicas brasileiras cujos títulos dão uma excelente idéia de sua qualidade. Como vocês sabem, eu sempre me embanano com números complexos: assim, a lista de cinco músicas tem seis (as "top five" e uma menção honrosa). Eis:
* Onde o Coló Comeu, Ivon Curi. Vocês notaram a sutileza? Pois é, o repertório do cantor também incluía sacanagens perceptíveis apenas pelos ouvintes de inteligência superior. Ivon é santo padroeiro do puragoiaba -e ai de quem falar mal dele.
* Não Tem Jeito que Dê Jeito, Raimundo Soldado. Patrimônio do brega nordestino, Raimundo Soldado foi redescoberto recentemente pelo brega fake Falcão, que regravou esse clássico. Destaque para este imortal verso: "De hoje em diante nós vamos ser um simples amigo". E viva as melodias popular!
* Nós Somos Dois Sem-Vergonhas, Lindomar Castilho. O verdadeiro gangsta-brega em uma de suas interpretações mais matadoras (ops, desculpem).
* Dez Portugueses sem Jeito e um Bacalhau na Sacola, Roberto Leal. Isso é o que acontece quando um português pirobo e sem superego é deixado à solta. Putaq'p'riu!
* Se Eu Morrer sem Gozar do Seu Amor, Minha Alma lhe Perseguirá de Pau Duro, Falcão. De longe, o título mais poético da MPB nos últimos 80 anos.
Menção honrosa: Suga-me, com Alípio Martins. O assunto é esse mesmo que você está pensando. Also known as "Melô da Peta". Séquiço explícito, cafonice e maracas.
MEUS PERSONAGENS SECUNDÁRIOS INESQUECÍVEIS
Vocês já notaram como eu gosto de fazer esses posts em série, não? É um mais dispensável que o outro. Começarei uma nova série inútil lembrando os meus personagens secundários favoritos (no cinema, na televisão, na literatura etc.), todos muito mais interessantes que os protagonistas. Vamos ao primeiro:
* Nezinho do Jegue
Nezinho do Jegue era um secundaríssimo personagem de "O Bem-Amado" (a minissérie da Globo, não a novela). Tão secundário que eu não me lembro do nome do ator que o interpretava. A única coisa que o Nezinho fazia era levar seu jegue -que se chamava Rodrigues- à praça de Sucupira durante as aparições do prefeito Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo). Quando estava sóbrio, Nezinho era o maior puxa-saco: saudava o prefeito aos gritos de "viva Odorico!". Mas, bêbado, ele anulava seu superego bajulador e deixava o subconsciente se expressar: "Morra Odorico! Safado, sem-vergonha! Ladrão de merenda!".
Eu não bebo muito (como vocês sabem, só Malt 90 em lata, quente), mas "solto o Nezinho" quando escrevo no puragoiaba. Só acho que, se o jegue Rodrigues fosse o dono do blog, ele escreveria posts bem melhores. Certamente, muito mais sensatos.
Vocês já notaram como eu gosto de fazer esses posts em série, não? É um mais dispensável que o outro. Começarei uma nova série inútil lembrando os meus personagens secundários favoritos (no cinema, na televisão, na literatura etc.), todos muito mais interessantes que os protagonistas. Vamos ao primeiro:
* Nezinho do Jegue
Nezinho do Jegue era um secundaríssimo personagem de "O Bem-Amado" (a minissérie da Globo, não a novela). Tão secundário que eu não me lembro do nome do ator que o interpretava. A única coisa que o Nezinho fazia era levar seu jegue -que se chamava Rodrigues- à praça de Sucupira durante as aparições do prefeito Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo). Quando estava sóbrio, Nezinho era o maior puxa-saco: saudava o prefeito aos gritos de "viva Odorico!". Mas, bêbado, ele anulava seu superego bajulador e deixava o subconsciente se expressar: "Morra Odorico! Safado, sem-vergonha! Ladrão de merenda!".
Eu não bebo muito (como vocês sabem, só Malt 90 em lata, quente), mas "solto o Nezinho" quando escrevo no puragoiaba. Só acho que, se o jegue Rodrigues fosse o dono do blog, ele escreveria posts bem melhores. Certamente, muito mais sensatos.
O TOXIC AVENGER DA TERCEIRA IDADE
O camarada Láudano apontou semelhanças entre o meu "serial killer" da terceira idade, Philadelpho Philomeno, e o Toxic Avenger dos filmes da Troma. Eu confesso que conhecia o herói apenas de ouvir falar, mas agora acho que ele e Philadelpho podem formar uma ótima dupla. Outra idéia que tive: o velhinho, apesar da vista bem cansada, será um leitor assíduo de blogs, nos quais vai encontrar centenas de potenciais vítimas. Hm-hm-hm-hm-hm (*risadinha abafada, à la Vincent Price*).
O camarada Láudano apontou semelhanças entre o meu "serial killer" da terceira idade, Philadelpho Philomeno, e o Toxic Avenger dos filmes da Troma. Eu confesso que conhecia o herói apenas de ouvir falar, mas agora acho que ele e Philadelpho podem formar uma ótima dupla. Outra idéia que tive: o velhinho, apesar da vista bem cansada, será um leitor assíduo de blogs, nos quais vai encontrar centenas de potenciais vítimas. Hm-hm-hm-hm-hm (*risadinha abafada, à la Vincent Price*).
16.7.02
GOIABA MOVIE GUIDE
Top five: os piores títulos em português
É claro que esta lista está sujeita a alterações. Ela inclui apenas as versões em português de filmes cujos títulos originais eram razoavelmente decentes. Estão descartados nomes de filmes pornô ("Oh! Rebuceteio") e títulos com frasezinhas didáticas, sobre os quais já falei ("The King - O Rei do Pedaço"). Aqui vão:
* Quando Duas Mulheres Pecam (Persona, 1966). Coitado do Ingmar Bergman. Por mais chatos que seus filmes fossem, ele não merecia uma tradução dessas.
* Seis Não Regressaram (Journey to Shiloh, 1968). Esse é sensacional. Sete amigos juntam-se às tropas sulistas durante a Guerra Civil americana. Adivinhem só o que acontece... (Depois ainda têm coragem de falar mal dos portugueses, com aquela "lenda urbana" sobre "O Filho que Era a Mãe". Ora, pois.)
* Fé Demais Não Cheira Bem (Leap of Faith, 1992). O título original e a comédia, com Steve Martin e Debra Winger, não cheiravam nem fediam. Mas o tradutor, cheio de "wit", achou que um trocadilhozinho fedegoso cairia bem. Tampem os narizes.
* Quem Não Herda... Fica na Mesma (Splitting Heirs, 1993). Boa lembrança recente do Telescópica (salvo engano meu). Segue a linha escatológico-espirituosa do anterior. Aliás, parece letra de música do Sandro Becker ("lá detrás daquele morro/ tem dois caras batutas/ um é filho do Zé/ e o outro não é...").
* Picardias Estudantis (Fast Times at Ridgemont High, 1982). Como é que é? Ardia o quê?
Top five: os piores títulos em português
É claro que esta lista está sujeita a alterações. Ela inclui apenas as versões em português de filmes cujos títulos originais eram razoavelmente decentes. Estão descartados nomes de filmes pornô ("Oh! Rebuceteio") e títulos com frasezinhas didáticas, sobre os quais já falei ("The King - O Rei do Pedaço"). Aqui vão:
* Quando Duas Mulheres Pecam (Persona, 1966). Coitado do Ingmar Bergman. Por mais chatos que seus filmes fossem, ele não merecia uma tradução dessas.
* Seis Não Regressaram (Journey to Shiloh, 1968). Esse é sensacional. Sete amigos juntam-se às tropas sulistas durante a Guerra Civil americana. Adivinhem só o que acontece... (Depois ainda têm coragem de falar mal dos portugueses, com aquela "lenda urbana" sobre "O Filho que Era a Mãe". Ora, pois.)
* Fé Demais Não Cheira Bem (Leap of Faith, 1992). O título original e a comédia, com Steve Martin e Debra Winger, não cheiravam nem fediam. Mas o tradutor, cheio de "wit", achou que um trocadilhozinho fedegoso cairia bem. Tampem os narizes.
* Quem Não Herda... Fica na Mesma (Splitting Heirs, 1993). Boa lembrança recente do Telescópica (salvo engano meu). Segue a linha escatológico-espirituosa do anterior. Aliás, parece letra de música do Sandro Becker ("lá detrás daquele morro/ tem dois caras batutas/ um é filho do Zé/ e o outro não é...").
* Picardias Estudantis (Fast Times at Ridgemont High, 1982). Como é que é? Ardia o quê?
GOIABA MOVIE GUIDE
Coisas que não deveriam ter sido filmadas
Kiss contra o Fantasma do Terror (Kiss Meets the Phantom of the Park, EUA, 1978): O linguarudo Gene Simmons e seus comparsas utilizam seus poderes especiais (sic) para lutar contra um cientista que tem seu laboratório em um parque de diversões (sic, sic) e quer conquistar o mundo com seus clones, os quais incluem um "Kiss do mal" (sic ao cubo). É tanta bobagem que fica difícil escolher os highlights (melhor dizendo, "lowlights"). Se puder, assista à versão dublada: nada melhor do que ouvir o Gene Simmons "do mal" dizendo "eu sou o demôniooooo".
Cotação do Ruy: cinco goiabas bichadas. E põe bichadas nisso.
Coisas que não deveriam ter sido filmadas
Kiss contra o Fantasma do Terror (Kiss Meets the Phantom of the Park, EUA, 1978): O linguarudo Gene Simmons e seus comparsas utilizam seus poderes especiais (sic) para lutar contra um cientista que tem seu laboratório em um parque de diversões (sic, sic) e quer conquistar o mundo com seus clones, os quais incluem um "Kiss do mal" (sic ao cubo). É tanta bobagem que fica difícil escolher os highlights (melhor dizendo, "lowlights"). Se puder, assista à versão dublada: nada melhor do que ouvir o Gene Simmons "do mal" dizendo "eu sou o demôniooooo".
Cotação do Ruy: cinco goiabas bichadas. E põe bichadas nisso.
MAIS SOBRE O VELHINHO
Ainda não decidi se batizo esse meu amável personagem como Philomeno ou Philadelpho; de toda forma, ele tem que ter "ph" no nome. Parece um velhinho fofo e inofensivo, mas não se iluda: é um crudelíssimo "serial killer" de jovens babacas. Além das armas já citadas, ele possui uma máscara de oxigênio ligada a um balão cheio de gás metano (sim, Philomeno -ou Philadelpho- é um velhinho metódico. Segue uma dieta rica em repolho e armazena cuidadosamente os próprios peidos). Quando suas vítimas estão agonizando, ele termina o serviço com sua máscara de altíssima concentração flatulenta. Nossa, criei um monstro...
Ainda não decidi se batizo esse meu amável personagem como Philomeno ou Philadelpho; de toda forma, ele tem que ter "ph" no nome. Parece um velhinho fofo e inofensivo, mas não se iluda: é um crudelíssimo "serial killer" de jovens babacas. Além das armas já citadas, ele possui uma máscara de oxigênio ligada a um balão cheio de gás metano (sim, Philomeno -ou Philadelpho- é um velhinho metódico. Segue uma dieta rica em repolho e armazena cuidadosamente os próprios peidos). Quando suas vítimas estão agonizando, ele termina o serviço com sua máscara de altíssima concentração flatulenta. Nossa, criei um monstro...
15.7.02
O VELHINHO "SERIAL KILLER"
Nelson Rodrigues estava certo quando dizia aos jovens: "Envelheçam depressa, antes que seja tarde". A supervalorização do simples fato de ser jovem, de algumas décadas para cá, aumentou exponencialmente a concentração de cretinice por metro quadrado neste planetinha. Muitos crêem que a data de nascimento numa certidão seja, por si só, uma excelsa qualidade e que "novo" seja sinônimo de "melhor" (o que faz da Aids, por exemplo, uma coisa bem "melhor" e mais "muderrrna" do que a gonorréia). No fundo, é compreensível: jovens descerebrados são ótimos consumidores e excelente massa de manobra.
Contra esse estado de coisas, já pensei em escrever um conto, tendo como protagonista um velhinho "serial killer". Um belo dia, ele se cansa de ler Schopenhauer, Ortega y Gasset e Cioran, porque acha que a simples leitura não vai resolver os problemas do mundo -e passa das palavras à ação. Começa a freqüentar assembléias estudantis, shopping centers e shows do Natiruts ("liberdade pra dentro da cabeeeçaaa"...), entre outros lugares insalubres, para seqüestrar jovens cretinos e empalá-los com sua bengala pontiaguda ou sufocá-los com seu fraldão geriátrico (usado, of course). Não pensei ainda no final, mas acho melhor fazer com que isso vire logo ficção -ou, daqui a 30 anos, eu mesmo vou me transformar nesse velhinho.
Nelson Rodrigues estava certo quando dizia aos jovens: "Envelheçam depressa, antes que seja tarde". A supervalorização do simples fato de ser jovem, de algumas décadas para cá, aumentou exponencialmente a concentração de cretinice por metro quadrado neste planetinha. Muitos crêem que a data de nascimento numa certidão seja, por si só, uma excelsa qualidade e que "novo" seja sinônimo de "melhor" (o que faz da Aids, por exemplo, uma coisa bem "melhor" e mais "muderrrna" do que a gonorréia). No fundo, é compreensível: jovens descerebrados são ótimos consumidores e excelente massa de manobra.
Contra esse estado de coisas, já pensei em escrever um conto, tendo como protagonista um velhinho "serial killer". Um belo dia, ele se cansa de ler Schopenhauer, Ortega y Gasset e Cioran, porque acha que a simples leitura não vai resolver os problemas do mundo -e passa das palavras à ação. Começa a freqüentar assembléias estudantis, shopping centers e shows do Natiruts ("liberdade pra dentro da cabeeeçaaa"...), entre outros lugares insalubres, para seqüestrar jovens cretinos e empalá-los com sua bengala pontiaguda ou sufocá-los com seu fraldão geriátrico (usado, of course). Não pensei ainda no final, mas acho melhor fazer com que isso vire logo ficção -ou, daqui a 30 anos, eu mesmo vou me transformar nesse velhinho.
RETURN OF THE LIVING DEAD
O Blogger impediu que eu postasse durante todo o fim de semana, numa iniciativa involuntária pela qual a humanidade, certamente, agradece. De todo modo, consegui mudar meu slogan; o novo é uma das coisas mais românticas que você pode dizer a uma mulé, se ela for goiaba o suficiente. É verdade que eu já sou uma gaveta muito desarrumada; não há mais o que bagunçar. Mas mulé desarrumadeira é sempre bem-vinda.
O Blogger impediu que eu postasse durante todo o fim de semana, numa iniciativa involuntária pela qual a humanidade, certamente, agradece. De todo modo, consegui mudar meu slogan; o novo é uma das coisas mais românticas que você pode dizer a uma mulé, se ela for goiaba o suficiente. É verdade que eu já sou uma gaveta muito desarrumada; não há mais o que bagunçar. Mas mulé desarrumadeira é sempre bem-vinda.
11.7.02
INTELLECTUAL UNDERWEAR
E o caríssimo Zeitgeist andou falando poucas e boas de um rapaz que usa camisetas do Thelonious Monk e do Miles Davis. Ainda bem que ele nunca viu a minha cueca furadinha com a reprodução da capa de "Dança da Rapadura", do neominimalista Tiririca. Aliás, nem ele nem marmanjo nenhum (sou fruta, mas sou espada, merrmão, qualé, vai encarar?). Bom, alguns amigos já viram na cozinha as cuecas velhas que eu transformei em pano de prato, mas aí o contexto é outro. Certo?
E o caríssimo Zeitgeist andou falando poucas e boas de um rapaz que usa camisetas do Thelonious Monk e do Miles Davis. Ainda bem que ele nunca viu a minha cueca furadinha com a reprodução da capa de "Dança da Rapadura", do neominimalista Tiririca. Aliás, nem ele nem marmanjo nenhum (sou fruta, mas sou espada, merrmão, qualé, vai encarar?). Bom, alguns amigos já viram na cozinha as cuecas velhas que eu transformei em pano de prato, mas aí o contexto é outro. Certo?
JÁ QUE TODO MUNDO ESTÁ FAZENDO...
Google! DayPop! This is my blogchalk: Portuguese, Brazil, Sao Paulo, Pinheiros, Ruy, Male, 31-35!
Google! DayPop! This is my blogchalk: Portuguese, Brazil, Sao Paulo, Pinheiros, Ruy, Male, 31-35!
9.7.02
CAREQUINHA FOR PRESIDENT
Convém dizer que este não é um post-propaganda do candidato pouca-telha Zé da Serra Elétrica. Há algum tempo, o velho e bom Láudano sugeriu que lançássemos a candidatura presidencial do macaco loiro, o performático e multimídia doutor Gori.
Sorry, meu caro, mas sou obrigado a revelar que já escolhi outro candidato: o palhaço Carequinha. Para moralizar a política no Brasil, bastaria adaptar a letra de seu hit infanto-geriátrico "O Bom Menino", de 1962: "Olhem aqui! O Carequinha não é amigo de criança que desvia verba do Orçamento ou monta esquema para extorquir o dinheiro dos amiguinhos. Tá certo ou não tááááá?". Nós, eleitores, teríamos um governante plenamente identificado conosco, com nariz vermelho e tudo. Carequinha já!
(Parênteses sem relação alguma com o assunto acima: Isidore Ducasse é muito bom, mas que história é essa de pular Baudelaire e suas "fleurs du mal", Láudano? Pelamordedeus!)
Convém dizer que este não é um post-propaganda do candidato pouca-telha Zé da Serra Elétrica. Há algum tempo, o velho e bom Láudano sugeriu que lançássemos a candidatura presidencial do macaco loiro, o performático e multimídia doutor Gori.
Sorry, meu caro, mas sou obrigado a revelar que já escolhi outro candidato: o palhaço Carequinha. Para moralizar a política no Brasil, bastaria adaptar a letra de seu hit infanto-geriátrico "O Bom Menino", de 1962: "Olhem aqui! O Carequinha não é amigo de criança que desvia verba do Orçamento ou monta esquema para extorquir o dinheiro dos amiguinhos. Tá certo ou não tááááá?". Nós, eleitores, teríamos um governante plenamente identificado conosco, com nariz vermelho e tudo. Carequinha já!
(Parênteses sem relação alguma com o assunto acima: Isidore Ducasse é muito bom, mas que história é essa de pular Baudelaire e suas "fleurs du mal", Láudano? Pelamordedeus!)
8.7.02
PEQUENA ANTOLOGIA GOIABAL 12
José Paulo Paes (1926-1998)
neste lugar solitário
o homem toda manhã
tem o porte estatuário
do pensador de rodin
neste lugar solitário
extravasa sem sursis
como num confessionário
o mais íntimo de si
neste lugar solitário
arúspice desentranha
o aflito vocabulário
das suas próprias entranhas
neste lugar solitário
faz a conta mais doída:
em lançamentos diários
a soma da sua vida
("Grafito", da antologia "Um por Todos", 1986. Nota de rodapé: "arúspices" eram os sacerdotes que, na Roma antiga, diziam prever o futuro examinando as vísceras das vítimas de um sacrifício. Comentário goiabal: esse poema é uma espécie de versão, consideravelmente melhorada, daquele clássico anônimo sobre o mesmo tema, "neste lugar solitário/ sinto uma emoção profunda:/ a bosta bate na água/ e a água bate na bunda".)
José Paulo Paes (1926-1998)
neste lugar solitário
o homem toda manhã
tem o porte estatuário
do pensador de rodin
neste lugar solitário
extravasa sem sursis
como num confessionário
o mais íntimo de si
neste lugar solitário
arúspice desentranha
o aflito vocabulário
das suas próprias entranhas
neste lugar solitário
faz a conta mais doída:
em lançamentos diários
a soma da sua vida
("Grafito", da antologia "Um por Todos", 1986. Nota de rodapé: "arúspices" eram os sacerdotes que, na Roma antiga, diziam prever o futuro examinando as vísceras das vítimas de um sacrifício. Comentário goiabal: esse poema é uma espécie de versão, consideravelmente melhorada, daquele clássico anônimo sobre o mesmo tema, "neste lugar solitário/ sinto uma emoção profunda:/ a bosta bate na água/ e a água bate na bunda".)
Novo slogan goiabal no ar. Pensei em pôr "blogar é nunca ter de pedir perdão", mas acho que a frase aí de cima combina melhor com meu Rider e minha barriga proeminente.
GOIABA MOVIE GALLERY
Que "Star Wars" e Conde Dooku (a versão interestelar do Conde D'Eu), que nada. Eu quero é assistir a "Janaína, a Virgem Proibida". Com um título desses e Ronnie Von, a "mãe de gravata", no papel principal, só pode ser ducacete. Acho que vai pra minha lista dos "bottom ten" sem que eu precise ver.
Que "Star Wars" e Conde Dooku (a versão interestelar do Conde D'Eu), que nada. Eu quero é assistir a "Janaína, a Virgem Proibida". Com um título desses e Ronnie Von, a "mãe de gravata", no papel principal, só pode ser ducacete. Acho que vai pra minha lista dos "bottom ten" sem que eu precise ver.
GOIABA MOVIE GUIDE
Coisas que não deveriam ter sido filmadas
Killer Klowns from Outer Space (EUA, 1988): Palhaços alienígenas assassinos aprisionam humanos em casulos de algodão-doce e chupam o sangue deles com canudinhos. Devo essa maravilhosa lembrança cinéfila à Sylvia, que perguntou qual o filme que marcou nossas vidas quando estávamos em idade impressionável. Eu já tinha 20 e tantos anos quando vi esse filme, mas devo dizer: fiquei pessimamente impressionado.
Cotação do Ruy: cinco goiabas. Bichadas, of course.
Coisas que não deveriam ter sido filmadas
Killer Klowns from Outer Space (EUA, 1988): Palhaços alienígenas assassinos aprisionam humanos em casulos de algodão-doce e chupam o sangue deles com canudinhos. Devo essa maravilhosa lembrança cinéfila à Sylvia, que perguntou qual o filme que marcou nossas vidas quando estávamos em idade impressionável. Eu já tinha 20 e tantos anos quando vi esse filme, mas devo dizer: fiquei pessimamente impressionado.
Cotação do Ruy: cinco goiabas. Bichadas, of course.
4.7.02
EU NÃO LEIO O PURAGOIABA 8
Charles De Gaulle não leria jamais o puragoiaba. Bien sûr! Purragoiabá n'est pas un blog sérieux.
Charles De Gaulle não leria jamais o puragoiaba. Bien sûr! Purragoiabá n'est pas un blog sérieux.
O GRANDE TOLICIONÁRIO DO JORNALISMO ECONÔMICO
Um dia, ainda quero fazer uma experiência em laboratório, com um grupo de jornalistas econômicos como cobaias. A idéia é impedi-los (mediante choques elétricos, se necessário) de escrever expressões como "alavancar" e "preços praticados" ou de explicar, inteligentemente, que a Bolsa "despencou 2,3%". Tenho certeza de que eles sofreriam uma síndrome de abstinência.
Pior que ler isso, acho, só ver a Lillian Witte Fibe torcendo o nariz para um lado e a boquinha para o outro ao dizer que "a economia está na UTI". Ou a Ana Paula Padrão dizendo a mesma bobagem, mas com os olhos arregalados, para "passar credibilidade" (nessas horas, a moça deve pensar algo como "gente, olho arregalado significa que o que eu estou dizendo é SÉRIO, viu?").
Um dia, ainda quero fazer uma experiência em laboratório, com um grupo de jornalistas econômicos como cobaias. A idéia é impedi-los (mediante choques elétricos, se necessário) de escrever expressões como "alavancar" e "preços praticados" ou de explicar, inteligentemente, que a Bolsa "despencou 2,3%". Tenho certeza de que eles sofreriam uma síndrome de abstinência.
Pior que ler isso, acho, só ver a Lillian Witte Fibe torcendo o nariz para um lado e a boquinha para o outro ao dizer que "a economia está na UTI". Ou a Ana Paula Padrão dizendo a mesma bobagem, mas com os olhos arregalados, para "passar credibilidade" (nessas horas, a moça deve pensar algo como "gente, olho arregalado significa que o que eu estou dizendo é SÉRIO, viu?").
PEQUENA ANTOLOGIA GOIABAL 11
Lope de Vega (1562-1635)
Pasé la mar cuando creyó mi engaño
que en él mi antiguo fuego se templara,
mudé mi natural, porque mudara
naturaleza el uso, y curso el daño.
En otro cielo, en otro reino extraño,
mis trabajos se vieron en mi cara,
hallando, aunque otra tanta edad pasara,
incierto el bien, y cierto el desengaño.
El mismo amor me abrasa y atormenta,
y de razón y libertad me priva.
¿Por qué os quejáis del alma que le cuenta?
¿Qué no escriba decís, o que no viva?
Haced vos con mi amor que yo no sienta,
que yo haré con mi pluma que no escriba.
("Soneto a Lupercio Leonardo", 1609)
Lope de Vega (1562-1635)
Pasé la mar cuando creyó mi engaño
que en él mi antiguo fuego se templara,
mudé mi natural, porque mudara
naturaleza el uso, y curso el daño.
En otro cielo, en otro reino extraño,
mis trabajos se vieron en mi cara,
hallando, aunque otra tanta edad pasara,
incierto el bien, y cierto el desengaño.
El mismo amor me abrasa y atormenta,
y de razón y libertad me priva.
¿Por qué os quejáis del alma que le cuenta?
¿Qué no escriba decís, o que no viva?
Haced vos con mi amor que yo no sienta,
que yo haré con mi pluma que no escriba.
("Soneto a Lupercio Leonardo", 1609)
3.7.02
GOIABA MOVIE GALLERY
Para fechar o dia, o pôster de "Histórias que Nossas Babás Não Contavam" -pornochanchada que tem anãozinho falando palavrão, Costinha como o caçador que adora "comer um cru" e Adele Fátima mostrando todo o seu ziriguidum, telecoteco, balacobaco e forrobodó. Três vivas para o anal, ops, canal Brasil!
Para fechar o dia, o pôster de "Histórias que Nossas Babás Não Contavam" -pornochanchada que tem anãozinho falando palavrão, Costinha como o caçador que adora "comer um cru" e Adele Fátima mostrando todo o seu ziriguidum, telecoteco, balacobaco e forrobodó. Três vivas para o anal, ops, canal Brasil!
EU NÃO LEIO O PURAGOIABA 7
Fause Haten, presumivelmente, não lê o puragoiaba. Claro, este não é um blog féchom. Mas ai dele se sua próxima coleção na São Paulo Bichion Week tiver botas brancas e pingüins de louça. Processá-lo-ei e cobri-lo-ei de porrada, com mesóclise e tudo.
Fause Haten, presumivelmente, não lê o puragoiaba. Claro, este não é um blog féchom. Mas ai dele se sua próxima coleção na São Paulo Bichion Week tiver botas brancas e pingüins de louça. Processá-lo-ei e cobri-lo-ei de porrada, com mesóclise e tudo.
VAMOS DANÇAR MAMBOLÊ?
Bem que a Katia já havia me avisado: eles estão de volta. Agora, com dois gês: Trio Los Anggeles. A entrevista do pirobo-líder do trio, Marcio Mendes, é a coisa mais hilariantemente goiabal que a Folha publicou nos últimos anos. Dá vontade de postar na íntegra, mas cito apenas um conselho dele ao repórter: "O principal é a babosa. Passe no seu rosto, viu?". Enquanto você vai procurar babosa para espalhar sobre a cútis, leia o resto aqui.
Postei essa foto há alguns meses, mas, como o próprio Marcio diria, "o que é bonito tem de ser (re)mostrado". Afe!
Bem que a Katia já havia me avisado: eles estão de volta. Agora, com dois gês: Trio Los Anggeles. A entrevista do pirobo-líder do trio, Marcio Mendes, é a coisa mais hilariantemente goiabal que a Folha publicou nos últimos anos. Dá vontade de postar na íntegra, mas cito apenas um conselho dele ao repórter: "O principal é a babosa. Passe no seu rosto, viu?". Enquanto você vai procurar babosa para espalhar sobre a cútis, leia o resto aqui.
Postei essa foto há alguns meses, mas, como o próprio Marcio diria, "o que é bonito tem de ser (re)mostrado". Afe!
2.7.02
GOIABA MOVIE GALLERY
Pena que eu não tenha descoberto este site antes de escrever meu post sobre a pornochanchada. Mas, como toda hora é hora de apreciar as graaaandes obras do cinema brasileiro, deixo vocês com este cartaz de "O Bem-Dotado", o filme com mais efeitos sonoros por minuto na história do cinema mundial. Tóimmm!
Pena que eu não tenha descoberto este site antes de escrever meu post sobre a pornochanchada. Mas, como toda hora é hora de apreciar as graaaandes obras do cinema brasileiro, deixo vocês com este cartaz de "O Bem-Dotado", o filme com mais efeitos sonoros por minuto na história do cinema mundial. Tóimmm!
AS CERTINHAS DO RUY
Nancy Sinatra nunca chegou a bater um bolão como a Julie London, mas sempre ganhou longe no quesito goiabice -e, apesar da cara de plástica, até que estava bastante encarável quando posou para a "Playboy", só de botas, aos 55 anos.
A obsessão com botas (às vezes brancas, as minhas preferidas) vem do maior sucesso dela, "These Boots Are Made for Walkin'", de 1966. Feminismo, cafonice e, ahn, criatividade lingüística: na letra há neologismos como "truthing" e "saming", antônimos de "lying" e "changing". Quem disse que o bom gosto é necessário?
(O pior é que eu gosto dela cantando "You Only Live Twice". Sim, sou cafona mesmo, e daí? Como se vocês já não soubessem.)
Nancy Sinatra nunca chegou a bater um bolão como a Julie London, mas sempre ganhou longe no quesito goiabice -e, apesar da cara de plástica, até que estava bastante encarável quando posou para a "Playboy", só de botas, aos 55 anos.
A obsessão com botas (às vezes brancas, as minhas preferidas) vem do maior sucesso dela, "These Boots Are Made for Walkin'", de 1966. Feminismo, cafonice e, ahn, criatividade lingüística: na letra há neologismos como "truthing" e "saming", antônimos de "lying" e "changing". Quem disse que o bom gosto é necessário?
(O pior é que eu gosto dela cantando "You Only Live Twice". Sim, sou cafona mesmo, e daí? Como se vocês já não soubessem.)
SLOGAN NOVO, GOIABICES ANTIGAS
Embora a gente continue "servindo bem para servir sempre", resolvi mudar a descrição do blog, aí em cima, para dar espaço a outras frases goiabísticas. Provavelmente, a próxima será algo como "isso é que é blog, não aquilo que eu tenho em casa!".
Embora a gente continue "servindo bem para servir sempre", resolvi mudar a descrição do blog, aí em cima, para dar espaço a outras frases goiabísticas. Provavelmente, a próxima será algo como "isso é que é blog, não aquilo que eu tenho em casa!".
KEVIN, O VIZINHO INDESEJADO
O Rafa, do Todos os Cães Merecem o Céu, me passou dois ótimos links. Um deles permite saber qual é sua "birthday playmate"; ali há farto (e põe farto nisso) material para as "certinhas do Ruy". O outro é uma engraçadíssima versão internética daquele jogo "six degrees of Kevin Bacon"; eu descobri, por exemplo, que o chato-cabeça Jean-Luc Godard está a apenas dois graus do nosso ator-garantia-de-filme-imprestável (e o elo entre os dois é o Roddy McDowall). Na verdade, isso não me surpreende.
O Rafa, do Todos os Cães Merecem o Céu, me passou dois ótimos links. Um deles permite saber qual é sua "birthday playmate"; ali há farto (e põe farto nisso) material para as "certinhas do Ruy". O outro é uma engraçadíssima versão internética daquele jogo "six degrees of Kevin Bacon"; eu descobri, por exemplo, que o chato-cabeça Jean-Luc Godard está a apenas dois graus do nosso ator-garantia-de-filme-imprestável (e o elo entre os dois é o Roddy McDowall). Na verdade, isso não me surpreende.
ISSO É COISA DE BIAL
Pernas. Pernas que correm. Pernas que driblam. Pernas que bailam no palco iluminado dos gramados. Sua órbita -a bola, redonda como o planeta Terra. Seu caminho -a galáxia do gol, abrindo sorrisos, como estrelas, no rosto de milhões de brasileiros.
Juro para vocês: levei dois minutos para elaborar essa porcaria aí em cima, enquanto cortava as unhas. Mas acho que o resultado não é inferior às "crônicas" do Pedro "isso-é-coisa-de-veado" Bial, um dos lowlights da última Copa. E eu que pensava que tivéssemos ficado livres do Armando Nojeira. Putz.
(A propósito, o primeiro parágrafo fica ainda melhor se for lido com entonação semelhante à do Cre-Tino Marcos.)
Pernas. Pernas que correm. Pernas que driblam. Pernas que bailam no palco iluminado dos gramados. Sua órbita -a bola, redonda como o planeta Terra. Seu caminho -a galáxia do gol, abrindo sorrisos, como estrelas, no rosto de milhões de brasileiros.
Juro para vocês: levei dois minutos para elaborar essa porcaria aí em cima, enquanto cortava as unhas. Mas acho que o resultado não é inferior às "crônicas" do Pedro "isso-é-coisa-de-veado" Bial, um dos lowlights da última Copa. E eu que pensava que tivéssemos ficado livres do Armando Nojeira. Putz.
(A propósito, o primeiro parágrafo fica ainda melhor se for lido com entonação semelhante à do Cre-Tino Marcos.)
1.7.02
EU NÃO LEIO O PURAGOIABA 6
Rrrrrrronaldiiinhuuu, o femônemo, também conhecido como Cascão, não lê o puragoiaba. Mas ele eu perdôo. Boa, garoto!
E eu escrevi certo, sim. Femônemo, ferpeitamente! E zuzo bem!
Rrrrrrronaldiiinhuuu, o femônemo, também conhecido como Cascão, não lê o puragoiaba. Mas ele eu perdôo. Boa, garoto!
E eu escrevi certo, sim. Femônemo, ferpeitamente! E zuzo bem!
29.6.02
GOIABA MOVIE GUIDE
Como identificar uma legítima pornochanchada
Pornochanchada (caso vocês, leitores-fedelhos, não saibam) é aquele tipo de filme brasileiro, popularíssimo nos anos 70, que adicionava à receita das antigas chanchadas muitas doses de séquiço, nunca explícito. Esses filmes eram financiados pelos contribuintes, via Embrafilme -o que talvez explique a queda do regime militar e a idéia de que "bom cinema" e "Brasil" são mais ou menos como "Kevin Bacon" e "filme bom", não se misturam.
Quem assiste ao canal Brasil, na TV por assinatura, certamente já teve contato com algumas obras-primas da pornochanchada. Mas às vezes é difícil diferenciá-las dos filmes "sérios": o som, por exemplo (aparentemente gravado de dentro de um barril), é a mesma merda em todos. Pensando nisso, este seu criado, "Ruy Ewald Filho", compilou dicas preciosas para descobrir se a porcaria que você está vendo é ou não uma pornochanchada.
1. Cuecas vermelhas. Toda pornochanchada tem pelo menos um homem usando essa elegante peça do vestuário masculino. Em 99% dos casos, é o amante que se esconde sob a cama ou dentro do armário quando o marido chega; e, em 90% das cenas, o homem-cueca é o David Cardoso.
2. Uso inteligente do duplo sentido. Os roteiristas de pornochanchada desenvolveram técnicas sofisticadíssimas para escrever sacanagens perceptíveis apenas pelos espectadores de inteligência superior. Isso resultou em frases como "vou fazer cooper para ficar com o cooper feito" ou "quero o bife cru, porque eu adoro comer um cru". A presença delas num filme é forte indício de que se trata de uma pornochanchada.
3. Presença de Monique Lafond, Aldine Müller, Helena Ramos ou Nicole Puzzi. Mas tem que ser uma de cada vez, no máximo duas. Se forem as quatro juntas -e, pior, com Tarcísio Meira fazendo cara de crise existencial-, você está vendo um filme do Walter Hugo Khouri. Mude de canal, rápido.
4. Emprego intensivo da sonoplastia. Os sonoplastas das pornochanchadas, pessimamente remunerados, deviam ganhar comissões pela quantidade de efeitos sonoros que conseguissem incluir num filme. O melhor exemplo disso é "O Bem-Dotado - O Homem de Itu", em que se ouve um "tóimmm" a cada vez que alguma moça confere os dotes do Nuno Leal Maia.
5. Anãozinho falando palavrão. Em "Histórias que Nossas Babás Não Contavam", Adele Fátima, que fazia a Branca das Neves, tinha como companhia alguns anõezinhos de boca suja; só uma pornochanchada mostraria uma coisa dessas. Se não for anãozinho, mas sim o Paulo Cesar Peréio dizendo "porra", muda tudo: você está diante de um filme de arte. Fuja correndo.
Como identificar uma legítima pornochanchada
Pornochanchada (caso vocês, leitores-fedelhos, não saibam) é aquele tipo de filme brasileiro, popularíssimo nos anos 70, que adicionava à receita das antigas chanchadas muitas doses de séquiço, nunca explícito. Esses filmes eram financiados pelos contribuintes, via Embrafilme -o que talvez explique a queda do regime militar e a idéia de que "bom cinema" e "Brasil" são mais ou menos como "Kevin Bacon" e "filme bom", não se misturam.
Quem assiste ao canal Brasil, na TV por assinatura, certamente já teve contato com algumas obras-primas da pornochanchada. Mas às vezes é difícil diferenciá-las dos filmes "sérios": o som, por exemplo (aparentemente gravado de dentro de um barril), é a mesma merda em todos. Pensando nisso, este seu criado, "Ruy Ewald Filho", compilou dicas preciosas para descobrir se a porcaria que você está vendo é ou não uma pornochanchada.
1. Cuecas vermelhas. Toda pornochanchada tem pelo menos um homem usando essa elegante peça do vestuário masculino. Em 99% dos casos, é o amante que se esconde sob a cama ou dentro do armário quando o marido chega; e, em 90% das cenas, o homem-cueca é o David Cardoso.
2. Uso inteligente do duplo sentido. Os roteiristas de pornochanchada desenvolveram técnicas sofisticadíssimas para escrever sacanagens perceptíveis apenas pelos espectadores de inteligência superior. Isso resultou em frases como "vou fazer cooper para ficar com o cooper feito" ou "quero o bife cru, porque eu adoro comer um cru". A presença delas num filme é forte indício de que se trata de uma pornochanchada.
3. Presença de Monique Lafond, Aldine Müller, Helena Ramos ou Nicole Puzzi. Mas tem que ser uma de cada vez, no máximo duas. Se forem as quatro juntas -e, pior, com Tarcísio Meira fazendo cara de crise existencial-, você está vendo um filme do Walter Hugo Khouri. Mude de canal, rápido.
4. Emprego intensivo da sonoplastia. Os sonoplastas das pornochanchadas, pessimamente remunerados, deviam ganhar comissões pela quantidade de efeitos sonoros que conseguissem incluir num filme. O melhor exemplo disso é "O Bem-Dotado - O Homem de Itu", em que se ouve um "tóimmm" a cada vez que alguma moça confere os dotes do Nuno Leal Maia.
5. Anãozinho falando palavrão. Em "Histórias que Nossas Babás Não Contavam", Adele Fátima, que fazia a Branca das Neves, tinha como companhia alguns anõezinhos de boca suja; só uma pornochanchada mostraria uma coisa dessas. Se não for anãozinho, mas sim o Paulo Cesar Peréio dizendo "porra", muda tudo: você está diante de um filme de arte. Fuja correndo.
EU NÃO LEIO O PURAGOIABA 5
Jabaury Jr. não lê o puragoiaba por um motivo simples: este blog é poooooooobre (a palavra deve ser pronunciada lentamente e com uma boquinha de nojo). Seu autor não é chique nem famoso, tampouco tem R$ 30 mil para gastar com "divulgação". Mas esse rapaz ainda há de rastejar por uma entrevista comigo.
You're gonna hear from me, Jabaury.
Jabaury Jr. não lê o puragoiaba por um motivo simples: este blog é poooooooobre (a palavra deve ser pronunciada lentamente e com uma boquinha de nojo). Seu autor não é chique nem famoso, tampouco tem R$ 30 mil para gastar com "divulgação". Mas esse rapaz ainda há de rastejar por uma entrevista comigo.
You're gonna hear from me, Jabaury.
EU NÃO LEIO O PURAGOIABA 4
Mercedes Sosa não lê o puragoiaba. Ela acredita que los blogs no sirven para conscientizar los hermanos de Latinoamérica. Ora, é só ela me emprestar o bumbo, que eu me torno um goiaba conscientizador; a flauta andina eu já tenho.
Mercedes Sosa não lê o puragoiaba. Ela acredita que los blogs no sirven para conscientizar los hermanos de Latinoamérica. Ora, é só ela me emprestar o bumbo, que eu me torno um goiaba conscientizador; a flauta andina eu já tenho.
28.6.02
HUMOR INDIGENTE
Depois de minuciosas pesquisas antropológicas, cheguei à conclusão de que um dos traços marcantes da personalidade do brasileiro, inacreditavelmente, jamais foi discutido por "ólogos" de qualquer espécie. Trata-se do que eu chamo de "humor indigente". Não pobre, vejam bem; nem, simplesmente, sem graça. É um humor que, de tão tosco, subdesenvolvido e terceiro-mundista, chega a ser comovente -e até engraçado.
Há abundantes exemplos de humor indigente para quem sintonize os canais da TV aberta. Mas este blog, consciente de seu papel na preservação do patrimônio histórico da cultura inútil, vai relembrar obras-primas da indigência humorística -dignas de ser fotografadas pelo Sebastião Salgado, mas que se perderam na poeira do tempo (oh!). Vamos a elas, portanto.
1) O saco do pobre. Martim Francisco, comediante já falecido, era um baixinho careca que interpretava o Padilha, personagem do programa do Jô Soares há uns vinte anos (aquele do "vai pra casa, Padilha!"). Do Padilha, é possível que algum ser paleolítico como eu ainda se lembre. Mas ninguém se recorda do quadro em que o Martim fazia um mendigo que circulava com um saco, gritando: "Ajude a encher o saco do pobre!". Alguém chegava perto e dizia: "Não tenho dinheiro, mas tenho uma carteira vazia. Serve?". Ao que o carequinha respondia: "Claro que serve. Carteira vazia é ótima para encher o saco do pobre". Genial, não?
2) O cantor da Costa Rica. Feliz é sinônimo de humor indigente. Alguns ainda devem se lembrar de suas intervenções como "imbecil do tempo" no telejornal (?) "Aqui Agora", sempre finalizadas por um "piririm, pororom!". Muitos anos antes, contudo, Feliz era uma das estrelas do programa de Moacyr Franco (outro deus do humor miserável) na TV Bandeirantes. Em um dos quadros, um show de calouros, Moacyr recebia um cantor de boleros -ninguém senão o nosso amigo Feliz, enrolando seu portunhol. O apresentador perguntava: "De onde você é?". Feliz virava de costas para a câmera, mostrava uma profusão de colares pendurados no seu paletó e explicava: "Costa Rica".
O que vocês acham? Não é mesmo um humor digno de figurar abaixo de Serra Leoa no IDH? Comovente, comovente...
Depois de minuciosas pesquisas antropológicas, cheguei à conclusão de que um dos traços marcantes da personalidade do brasileiro, inacreditavelmente, jamais foi discutido por "ólogos" de qualquer espécie. Trata-se do que eu chamo de "humor indigente". Não pobre, vejam bem; nem, simplesmente, sem graça. É um humor que, de tão tosco, subdesenvolvido e terceiro-mundista, chega a ser comovente -e até engraçado.
Há abundantes exemplos de humor indigente para quem sintonize os canais da TV aberta. Mas este blog, consciente de seu papel na preservação do patrimônio histórico da cultura inútil, vai relembrar obras-primas da indigência humorística -dignas de ser fotografadas pelo Sebastião Salgado, mas que se perderam na poeira do tempo (oh!). Vamos a elas, portanto.
1) O saco do pobre. Martim Francisco, comediante já falecido, era um baixinho careca que interpretava o Padilha, personagem do programa do Jô Soares há uns vinte anos (aquele do "vai pra casa, Padilha!"). Do Padilha, é possível que algum ser paleolítico como eu ainda se lembre. Mas ninguém se recorda do quadro em que o Martim fazia um mendigo que circulava com um saco, gritando: "Ajude a encher o saco do pobre!". Alguém chegava perto e dizia: "Não tenho dinheiro, mas tenho uma carteira vazia. Serve?". Ao que o carequinha respondia: "Claro que serve. Carteira vazia é ótima para encher o saco do pobre". Genial, não?
2) O cantor da Costa Rica. Feliz é sinônimo de humor indigente. Alguns ainda devem se lembrar de suas intervenções como "imbecil do tempo" no telejornal (?) "Aqui Agora", sempre finalizadas por um "piririm, pororom!". Muitos anos antes, contudo, Feliz era uma das estrelas do programa de Moacyr Franco (outro deus do humor miserável) na TV Bandeirantes. Em um dos quadros, um show de calouros, Moacyr recebia um cantor de boleros -ninguém senão o nosso amigo Feliz, enrolando seu portunhol. O apresentador perguntava: "De onde você é?". Feliz virava de costas para a câmera, mostrava uma profusão de colares pendurados no seu paletó e explicava: "Costa Rica".
O que vocês acham? Não é mesmo um humor digno de figurar abaixo de Serra Leoa no IDH? Comovente, comovente...
EU NÃO LEIO O PURAGOIABA 3
Stevie Wonder não lê o puragoiaba. (Depois deste post, acho que vocês também não. Vão fazer alguma coisa mais útil, please.)
Stevie Wonder não lê o puragoiaba. (Depois deste post, acho que vocês também não. Vão fazer alguma coisa mais útil, please.)
EU NÃO LEIO O PURAGOIABA 2
Oscar Wilde também não lê o puragoiaba, mas é só porque ele já morreu. Se vivo fosse, morreria de inveja do meu "wit". (Putz, agora bati todos os recordes de megalomania e imodéstia.)
Oscar Wilde também não lê o puragoiaba, mas é só porque ele já morreu. Se vivo fosse, morreria de inveja do meu "wit". (Putz, agora bati todos os recordes de megalomania e imodéstia.)
EU NÃO LEIO O PURAGOIABA 1
Numa iniciativa provavelmente inédita no mundo dos blogs, o puragoiaba abrirá espaço para seus "inimigos": aqueles que não lêem o blog, têm raiva de quem lê e acham que eu já deveria ter virado suco de goiaba faz tempo. O primeiro da lista é o Doutor Gori -à direita na foto abaixo-, que, além de ser um macaco ridiculamente loiro, é um artista conceitual e performático e se sente pessoalmente ofendido com as referências desairosas que este blog faz à sua espécie. Só estou a salvo porque, por enquanto, ele continua empenhado em destruir Tóquio primeiro.
Numa iniciativa provavelmente inédita no mundo dos blogs, o puragoiaba abrirá espaço para seus "inimigos": aqueles que não lêem o blog, têm raiva de quem lê e acham que eu já deveria ter virado suco de goiaba faz tempo. O primeiro da lista é o Doutor Gori -à direita na foto abaixo-, que, além de ser um macaco ridiculamente loiro, é um artista conceitual e performático e se sente pessoalmente ofendido com as referências desairosas que este blog faz à sua espécie. Só estou a salvo porque, por enquanto, ele continua empenhado em destruir Tóquio primeiro.
ADENDO AO GOIABA MOVIE GUIDE
Lembrei só agora: há um filme que reúne três das "qualidades" que mencionei abaixo. Tem o Kevin Bacon no elenco, música-tema de outro barbudinho (Kenny Loggins, bleargh) e seu título em português é "Footloose - Ritmo Louco". Já passou na "Sessão da Tarde" umas duzentas vezes, mas, se você nunca viu, fuja.
Lembrei só agora: há um filme que reúne três das "qualidades" que mencionei abaixo. Tem o Kevin Bacon no elenco, música-tema de outro barbudinho (Kenny Loggins, bleargh) e seu título em português é "Footloose - Ritmo Louco". Já passou na "Sessão da Tarde" umas duzentas vezes, mas, se você nunca viu, fuja.
27.6.02
A GUERRA DOS MUNDOS
Olhem só o perigo que estamos correndo! Confiram esta chamada da revista "Bravo!" que está na página de abertura do UOL: "A inquietação da arte contemporânea invade São Paulo".
Fico imaginando exércitos de artistas conceituais (os "fascistas duchampianos") embrulhando a cidade inteira em papel crepom, tirando fotos coletivas de gente feia pelada, substituindo, nos supermercados, os potes de maionese Hellmann's por vidros com um tolete dentro e fazendo performances -exibidas num videowall- com os dejetos não-biodegradáveis do Tietê. Socorro! Alguém chame depressa o Spectreman-man-man!
Olhem só o perigo que estamos correndo! Confiram esta chamada da revista "Bravo!" que está na página de abertura do UOL: "A inquietação da arte contemporânea invade São Paulo".
Fico imaginando exércitos de artistas conceituais (os "fascistas duchampianos") embrulhando a cidade inteira em papel crepom, tirando fotos coletivas de gente feia pelada, substituindo, nos supermercados, os potes de maionese Hellmann's por vidros com um tolete dentro e fazendo performances -exibidas num videowall- com os dejetos não-biodegradáveis do Tietê. Socorro! Alguém chame depressa o Spectreman-man-man!
GOIABA MOVIE GUIDE
Vou começar a exercitar meu lado Rubens Ewald Filho. E não é o lado de trás, seus pervertidos: escreverei dropes sobre cinema para telespectadores goiabais. Podemos iniciá-los com dicas práticas e infalíveis para fugir de filmes-bomba. Vamos lá:
1) Nenhum filme que tenha mais de um título original pode ser bom. Geralmente, são co-produções EUA-Hong Kong-Trinidad y Tobago, com altíssimas chances de ter servido para lavar dinheiro do narcotráfico. O melhor exemplo de que me lembro é um horrível filme de horror protagonizado pelo Alice Cooper, que está na minha lista dos dez piores de todos os tempos. É uma produção hispano-americana-porto-riquenha, conhecida por quatro títulos: "The Bite", "Monster Dog", "Leviatán" ou "Los Perros de la Muerte" (esse último é o meu preferido). Pretendo falar mais sobre essa obra-prima nos próximos posts.
2) Nenhum filme cujo título em português tenha uma "frasezinha didática" pode ser bom. Por exemplo, "Jerry Maguire - A Grande Virada", "O Indomável - Assim É Minha Vida", "Patch Adams - O Amor É Contagioso", "Karatê Kid 3 - A Hora da Verdade Continua", e assim por diante. Recuso-me a despender a grana do ingresso em filmes com títulos ridículos, trilha sonora do Peter Cetera e/ou Robin Williams barbudinho.
3) Nenhum filme com Kevin Bacon pode ser bom. Algum cinéfilo há de lembrar: "Ah, mas ele trabalhou em 'JFK', 'Apollo 13'". Então, esses filmes são uma bosta -e, se alguém os achou bons, só pode ser uma ilusão de ótica. "Kevin Bacon" e "filme bom" são, como água e azeite, mutuamente excludentes.
Vou começar a exercitar meu lado Rubens Ewald Filho. E não é o lado de trás, seus pervertidos: escreverei dropes sobre cinema para telespectadores goiabais. Podemos iniciá-los com dicas práticas e infalíveis para fugir de filmes-bomba. Vamos lá:
1) Nenhum filme que tenha mais de um título original pode ser bom. Geralmente, são co-produções EUA-Hong Kong-Trinidad y Tobago, com altíssimas chances de ter servido para lavar dinheiro do narcotráfico. O melhor exemplo de que me lembro é um horrível filme de horror protagonizado pelo Alice Cooper, que está na minha lista dos dez piores de todos os tempos. É uma produção hispano-americana-porto-riquenha, conhecida por quatro títulos: "The Bite", "Monster Dog", "Leviatán" ou "Los Perros de la Muerte" (esse último é o meu preferido). Pretendo falar mais sobre essa obra-prima nos próximos posts.
2) Nenhum filme cujo título em português tenha uma "frasezinha didática" pode ser bom. Por exemplo, "Jerry Maguire - A Grande Virada", "O Indomável - Assim É Minha Vida", "Patch Adams - O Amor É Contagioso", "Karatê Kid 3 - A Hora da Verdade Continua", e assim por diante. Recuso-me a despender a grana do ingresso em filmes com títulos ridículos, trilha sonora do Peter Cetera e/ou Robin Williams barbudinho.
3) Nenhum filme com Kevin Bacon pode ser bom. Algum cinéfilo há de lembrar: "Ah, mas ele trabalhou em 'JFK', 'Apollo 13'". Então, esses filmes são uma bosta -e, se alguém os achou bons, só pode ser uma ilusão de ótica. "Kevin Bacon" e "filme bom" são, como água e azeite, mutuamente excludentes.
O BREGA GLOBALIZADO
E a Globo voltou à sua habitual alternância entre novelas -umas faladas em baianês e outras, no mais puro dialeto da Mooca. Está certíssimo quem chamou a nova novela de "Semelhança" e o autor de Benedito Ruym Barbosa. Mas desta vez há, pelo menos do ponto de vista goiabal, algo que agrega valor: a presença de monsieur Gilbert. Vocês sabem: é aquele egípcio que canta músicas melosas em francês e interpreta, ao que parece, um judeu que é pai da Ana Paula Arósio (poverella...). Globalização é isso aí, moçada. Só falta o personagem cantar uma versão em italiano de "F... Comme Femme" (em português, "F de Mulher").
E a Globo voltou à sua habitual alternância entre novelas -umas faladas em baianês e outras, no mais puro dialeto da Mooca. Está certíssimo quem chamou a nova novela de "Semelhança" e o autor de Benedito Ruym Barbosa. Mas desta vez há, pelo menos do ponto de vista goiabal, algo que agrega valor: a presença de monsieur Gilbert. Vocês sabem: é aquele egípcio que canta músicas melosas em francês e interpreta, ao que parece, um judeu que é pai da Ana Paula Arósio (poverella...). Globalização é isso aí, moçada. Só falta o personagem cantar uma versão em italiano de "F... Comme Femme" (em português, "F de Mulher").
25.6.02
AS CERTINHAS DO RUY
Você está cheio de ver neste blog coisas horrendas como a foto do Evê Sobral, alguns posts abaixo? Não agüenta mais citações de Ezra Pound, John Donne e Ronnie Von? Pois o puragoiaba, fiel à máxima "vox populi, vox Dei", atenderá ao tonitruante clamor das massas e exibirá o que 101% dos blog-espectadores homens do sexo masculino querem ver: mulé.
É claro que o conceito (hum...) do blog tem de ser preservado. Assim, as mulheres desta nova seção, "as certinhas do Ruy", distinguem-se por seus altos índices de charme, swing, veneno -e, sobretudo, de goiabice. Vamos iniciá-la com a maior de minhas musas inspiradoras, a madrinha das "certinhas".
Julie London (1926-2000)
Com todo o sucesso que fez logo na estréia -seu primeiro disco, "Julie Is Her Name", continha a hoje clássica "Cry Me a River"-, Julie London sempre foi terrivelmente subestimada como cantora. Talvez um pouco disso se deva à exploração dos seus (inegáveis) dotes físicos. A foto acima, por exemplo, consta da capa de "Calendar Girl", de 1956 -que tem outras onze, uma para cada mês do ano (confira neste site em homenagem à cantora).
O fato é que, cantando, Julie também batia um bolão -e isso custou a ser reconhecido. Ninguém, na minha parcialíssima opinião, interpretou "It Never Entered My Mind" (Rodgers & Hart) melhor do que ela. Se você duvida, vá atrás e ouça (essa música também está no "Julie Is Her Name"). O post já ficou longo, mas não resisto à tentação de colocar a letra aqui.
Once I laughed when I heard you saying
That I'd be playing solitaire
Uneasy in my easy chair
It never entered my mind
Once you told me I was mistaken
That I'd awaken with the sun
And order orange juice for one
It never entered my mind
You had what I lack, myself
And now I even have to scratch my back myself
Once you warned me that if you scorned me
I'd say a maiden's prayer again
And wish that you were there again
To get into my hair again
It never entered my mind
Você está cheio de ver neste blog coisas horrendas como a foto do Evê Sobral, alguns posts abaixo? Não agüenta mais citações de Ezra Pound, John Donne e Ronnie Von? Pois o puragoiaba, fiel à máxima "vox populi, vox Dei", atenderá ao tonitruante clamor das massas e exibirá o que 101% dos blog-espectadores homens do sexo masculino querem ver: mulé.
É claro que o conceito (hum...) do blog tem de ser preservado. Assim, as mulheres desta nova seção, "as certinhas do Ruy", distinguem-se por seus altos índices de charme, swing, veneno -e, sobretudo, de goiabice. Vamos iniciá-la com a maior de minhas musas inspiradoras, a madrinha das "certinhas".
Julie London (1926-2000)
Com todo o sucesso que fez logo na estréia -seu primeiro disco, "Julie Is Her Name", continha a hoje clássica "Cry Me a River"-, Julie London sempre foi terrivelmente subestimada como cantora. Talvez um pouco disso se deva à exploração dos seus (inegáveis) dotes físicos. A foto acima, por exemplo, consta da capa de "Calendar Girl", de 1956 -que tem outras onze, uma para cada mês do ano (confira neste site em homenagem à cantora).
O fato é que, cantando, Julie também batia um bolão -e isso custou a ser reconhecido. Ninguém, na minha parcialíssima opinião, interpretou "It Never Entered My Mind" (Rodgers & Hart) melhor do que ela. Se você duvida, vá atrás e ouça (essa música também está no "Julie Is Her Name"). O post já ficou longo, mas não resisto à tentação de colocar a letra aqui.
Once I laughed when I heard you saying
That I'd be playing solitaire
Uneasy in my easy chair
It never entered my mind
Once you told me I was mistaken
That I'd awaken with the sun
And order orange juice for one
It never entered my mind
You had what I lack, myself
And now I even have to scratch my back myself
Once you warned me that if you scorned me
I'd say a maiden's prayer again
And wish that you were there again
To get into my hair again
It never entered my mind
PEQUENA ANTOLOGIA GOIABAL 10
Ezra Pound (1885-1972)
Come, let us pity those who are better off than we are.
Come, my friend, and remember
that the rich have butlers and no friends,
And we have friends and no butlers.
Come, let us pity the married and the unmarried.
Dawn enters with little feet
like a gilded Pavlova,
And I am near my desire.
Nor has life in it aught better
Than this hour of clear coolness,
the hour of waking together.
("The Garret", 1916)
Ezra Pound (1885-1972)
Come, let us pity those who are better off than we are.
Come, my friend, and remember
that the rich have butlers and no friends,
And we have friends and no butlers.
Come, let us pity the married and the unmarried.
Dawn enters with little feet
like a gilded Pavlova,
And I am near my desire.
Nor has life in it aught better
Than this hour of clear coolness,
the hour of waking together.
("The Garret", 1916)
PEQUENA ANTOLOGIA GOIABAL 9
John Donne (1572-1631)
"All mankind is of one author, and is one volume; when one man dies, one chapter is not torn out of the book, but translated into a better language; and every chapter must be so translated. God employs several translators; some pieces are translated by age, some by sickness, some by war, some by justice; but God's hand is in every translation, and his hand shall bind up all our scattered leaves again for that library where every book shall lie open to one another."
(Trecho do Sermão XVII de "Devotions Upon Emergent Occasions", 1623. Foi desse texto que Ernest Hemingway tirou o título de "Por Quem os Sinos Dobram". Não sei em que medida acredito na história da "biblioteca" -mas que é bonita, isso é.)
John Donne (1572-1631)
"All mankind is of one author, and is one volume; when one man dies, one chapter is not torn out of the book, but translated into a better language; and every chapter must be so translated. God employs several translators; some pieces are translated by age, some by sickness, some by war, some by justice; but God's hand is in every translation, and his hand shall bind up all our scattered leaves again for that library where every book shall lie open to one another."
(Trecho do Sermão XVII de "Devotions Upon Emergent Occasions", 1623. Foi desse texto que Ernest Hemingway tirou o título de "Por Quem os Sinos Dobram". Não sei em que medida acredito na história da "biblioteca" -mas que é bonita, isso é.)
PEQUENA ANTOLOGIA GOIABAL 8
Padre Antônio Vieira (1608-1697)
"Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo mar Eritreu a conquistar a Índia; e, como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: 'Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?'. Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito os Alexandres."
(Trecho do "Sermão do Bom Ladrão", 1655. Comentários sobre sua atualidade são, obviamente, desnecessários.)
Padre Antônio Vieira (1608-1697)
"Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo mar Eritreu a conquistar a Índia; e, como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: 'Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?'. Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito os Alexandres."
(Trecho do "Sermão do Bom Ladrão", 1655. Comentários sobre sua atualidade são, obviamente, desnecessários.)
MAIS DEUSES NO PANTEÃO
Fiz dois acréscimos ao panteão dos deuses da cafonice. O primeiro, Odair José, dispensa comentários -e vocês ainda terão o privilégio de ouvir a musiquinha de abertura do site, coisa que me é impossível (que bom estar com a placa de som escangalhada...).
O segundo é o site do inacreditável Evê Sobral. Se você não tiver nada melhor para fazer no início da noite de sábado -por exemplo, tratamento de canal ou operação de apêndice-, eu recomendo o programa que esse cara conseguiu levar ao ar na CNT de São Paulo, "Spa Fantasia". Vejam só a atração do último episódio mencionado no site: "O eterno galã Jonas Mello vira gay!".
Sem brincadeira, nem eu consegui assistir a essa coisa inominável por mais de 30 segundos. Acho que só a foto "casual" do Evê, aí embaixo, já dá uma idéia do "freak show". Afe!
Fiz dois acréscimos ao panteão dos deuses da cafonice. O primeiro, Odair José, dispensa comentários -e vocês ainda terão o privilégio de ouvir a musiquinha de abertura do site, coisa que me é impossível (que bom estar com a placa de som escangalhada...).
O segundo é o site do inacreditável Evê Sobral. Se você não tiver nada melhor para fazer no início da noite de sábado -por exemplo, tratamento de canal ou operação de apêndice-, eu recomendo o programa que esse cara conseguiu levar ao ar na CNT de São Paulo, "Spa Fantasia". Vejam só a atração do último episódio mencionado no site: "O eterno galã Jonas Mello vira gay!".
Sem brincadeira, nem eu consegui assistir a essa coisa inominável por mais de 30 segundos. Acho que só a foto "casual" do Evê, aí embaixo, já dá uma idéia do "freak show". Afe!
ATIREI O PAU NO GATO-MESTRE
Como dizia o Bob Fields, monopólio é mesmo una mierda: a Globo, dona da bola, está se superando na concentração de chatice por centímetro cúbico nesta Copa. Como se Galvão Bueno e Márcio Canuto não fossem suficientes, ainda inventam um personagem escrotíssimo como esse Gato-Mestre. Seria ótimo se todos eles fossem mandados para aquele shopping center do Jamanta, para ser devidamente explodidos (se bem que isso também não daria certo. Imaginem o Galvão emergindo dos escombros e gritando "Jamanta não morreu!". Deus nos livre).
Como dizia o Bob Fields, monopólio é mesmo una mierda: a Globo, dona da bola, está se superando na concentração de chatice por centímetro cúbico nesta Copa. Como se Galvão Bueno e Márcio Canuto não fossem suficientes, ainda inventam um personagem escrotíssimo como esse Gato-Mestre. Seria ótimo se todos eles fossem mandados para aquele shopping center do Jamanta, para ser devidamente explodidos (se bem que isso também não daria certo. Imaginem o Galvão emergindo dos escombros e gritando "Jamanta não morreu!". Deus nos livre).
